domingo, 21 de outubro de 2018

Uma lista de características minhas que me fazem ter certeza, mesmo sem diagnóstico, de que sou autista

Este artigo relaciona diversas características autísticas minhas com os parâmetros que o DSM-5 determina para se considerar alguém clinicamente autista
Como este blog revela, sou autista e me assumo assim, mesmo sem um diagnóstico formal.

E tenho dezenas, para não dizer literalmente centenas, de indícios de que essa, e não a neurotipia, é minha condição.

Convido você a conhecer uma parte dessas características, como elas se encaixam com a sintomatologia do DSM-V para o Espectro Autista, e ter um pouco mais da ideia da importância de autistas adultos conquistarem o direito ao diagnóstico e acompanhamento.

Como algumas de minhas características batem com a definição do DSM-V para o Espectro Autista


1. Déficits clinicamente significativos e persistentes na comunicação social e nas interações sociais, manifestadas de todas as maneiras seguintes:

a. Déficits expressivos na comunicação não verbal e verbal usadas para interação social;


Exemplos no meu caso:
  • Dificuldade ou incapacidade de entender comunicação não verbal;
  • Propensão ao “sincericídio”;
  • Dificuldade de entender ironias ou brincadeiras verbais;
  • Dificuldade de contato visual;
  • Baixa habilidade de gesticular com as mãos etc.
b. Falta de reciprocidade social;
  • Dificuldade extrema, alternada com desinteresse, de socialização com neurotípicos;
  • Tendência a fazer e manter amizades apenas com quem tem muitas semelhanças de gostos e preferências político-ideológicas comigo;
  • Dificuldade de interagir em rodas de conversas;
  • Dificuldade de entender ironias ou brincadeiras verbais;
  • Dificuldade ou incapacidade de perceber e entender normas sociais não ditas;
  • Desatenção a padrões de vestimenta;
  • Histórico notável, até 2012, de paqueras fracassadas e paixões não correspondidas etc.
c. Incapacidade para desenvolver e manter relacionamentos de amizade apropriados para o estágio de desenvolvimento.
  • Carência crônica de amigos próximos;
  • Isolamento social crônico semivoluntário;
  • Desejo frustrado de fazer e manter amizades duradouras;
  • Networking profissional precário;
  • Sincericídios que impediram, no passado, o estabelecimento de alianças no meio vegano e limitavam minha permanência em grupos etc.
2. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades, manifestados por pelo menos duas das maneiras abaixo:

a. Comportamentos motores ou verbais estereotipados, ou comportamentos sensoriais incomuns;

  • Sentir prazer em ouvir múltiplas e repetidas vezes os mesmos sons esquisitos, como Seiya (d’Os Cavaleiros do Zodíaco) ou Seu Madruga apanhando, telefone batendo na cara de Mução (quando eu ouvia as pegadinhas dele) etc.;
  • Stims como ouvir os dedos batendo um no outro perto do ouvido;
  • Tiques: a Síndrome de Tourette é uma condição coexistente ao meu autismo;
  • Ecolalias, como ao imitar Seiya gemendo e fazer sons sonoplásticos de socos com a boca;
  • Hipersensibilidade a ambientes barulhentos e muito quentes e cheiros fortes;
  • Provável hipossensibilidade gustativa, preferindo comer alimentos muito adoçados ou muito temperados;
  • Hipersensibilidade a situações de estresse, briga e conflito etc.
b. Excessiva adesão/aderência a rotinas e padrões ritualizados de comportamento;
  • Querer que minha namorada repita os carinhos verbais que eu dirijo a ela - senão começo a sentir desconforto;
  • Manutenção de uma rotina diária de ligar o computador após acordar;
  • Escovar os dentes sempre da mesma maneira;
  • Dificuldade de trabalhar em outras coisas que não a escrita no computador ou o estudo;
  • Dificuldade de aderir a programas de lazer sem planejamento prévio etc.
c. Interesses restritos, fixos e intensos.
  • Hiperfoco no veganismo e nos Direitos Animais;
  • Dificuldade de me interessar em estudar disciplinas que caem em concursos públicos e de aprendê-las;
  • Dificuldade de me interessar em vocações com elevada empregabilidade;
  • Sensação de estar “preso” à vocação da produção de conteúdo sobre Ética Animal;
  • Coleção de livros de ciências humanas;
  • Gosto elevado pela leitura e pelo estudo etc.
3. Os sintomas devem estar presentes no início da infância, mas podem não se manifestar completamente até que as demandas sociais excedam o limite de suas capacidades.
  • Desde a infância tenho esses comportamentos;
  • Sempre fui uma criança isolada e antissocial;
  • Sempre tive dificuldades de socialização;
  • Tenho tiques desde os 7 anos;
  • Só aprendi a falar aos 3 anos de idade;
  • Sempre tive uma caligrafia “feia”;
  • Desde os 3 ou 4 anos sou reconhecido como superdotado etc.
Fonte da descrição do DSM-V para o Espectro Autista

Conclusão


De fato tenho muitas características que me fazem perceber que tenho a Síndrome de Asperger, o autismo leve. E mais: as que eu listei acima são menos de 10% de todas as características que eu tenho.

Agora eu posso dizer que você me conhece um pouco mais - algumas de minhas dificuldades e esquisitices.

E, caso você seja autista, mãe/pai de autista(s) ou aliado da bandeira da neurodiversidade, lhe digo que será um prazer lutarmos no mesmo lado pelo direito ao diagnóstico e acompanhamento de autistas adultos.

2 comentários:

  1. Tenho Asperger também . Tenho um monte de esquisitices e tenho hiperfoco em ciência, tecnologia, plantas, animais e escrever histórias. Fui diagnosticada há um tempo atrás com autismo e superdotação e comorbidades. Eu estudo física teórica e matemática . Eu amo neurociência também.

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